CONVITE À VIDA UM QUARTETO NO CÉU, 2 |
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Abraão voltou a falar: -- Em meus encontros com Deus, fui aprendendo que não devia mentir, mas confiar nele. Deus não me trouxe para cá mentiroso. Ele foi me lapidando, para que a minha fé não fosse apenas de lábios. Vim para cá bem velhinho, pois eu tinha muito ainda a aprender: aprender a não me desesperar nas horas difíceis, resolvendo as coisas do meu jeito. Mas, eu não vim para cá porque melhorei. Eu vim para cá porque cri, e é isto que agrada a Deus. Mas, foi muito bom ser lapidado. Deus gosta de pessoas que creem. Deus gosta de pessoas que se deixam santificar por ele. Salomão mostrou seu maravilhamento: -- Não consigo compreender. Eu não mereço estar aqui. Por isto, só tenho a agradecer. De repente, Pedro começou a chorar. Paulo se aproximou: -- Chorando por que, Pedro? -- Como não chorar de alegria, meu irmão? Jesus não me olhou como um pecador perdido no alto mar, mas como um pecador arrependido no fundo do seu coração. E, um a um, todos começaram a chorar. (NOTA DO AUTOR -- Desculpe o choro nesta ficção, porque no céu não há choro, nem mesmo de alegria.) Jesus, então, invisível até aquele momento, trouxe uma palavra de conforto: -- Eu sei que vocês choram de alegria, por só agora compreenderem o que é a graça de Deus. Ensinei e pratiquei a graça, mas nem todos conseguiram se livrar da ideia de que deviam se esforçar para receberem a graça. O esforço foi todo nosso. A cruz doeu no céu. Pedro o interrompe: -- Mestre, o senhor acha certo distribuir a graça, as pessoas receberem a graça, mas não viverem no seu compasso, sem compromisso? -- Pedro, graça é graça. Do alto da cruz, eu a lancei para quem quiser pegar. Quem pegar pegou, mesmo que não compreenda tudo, mesmo que não se ponha a fazer uma jornada comigo. Eu quero isto, mas muitos preferem ficar na superfície. Por isto, vivem de modo indigno do Evangelho e perdem o melhor, que é a minha amizade. Há salvos que ainda não são meus amigos, mas eu espero por eles. Ditas estas palavras, Jesus novamente se invisibilizou. E Abraão, Salomão, Pedro e Paulo continuaram a chorar de alegria por causa da tão grande salvação que os tocou e transformou. E Salomão fez uma última reflexão: -- Se eu pudesse voltar a viver na terra, receberia a salvação e oraria todos os dias para Deus me ajudar a ser totalmente fiel a ele, para ter um coração totalmente dedicado ao meu Senhor. Depois, os quatro se deram as mãos e começaram a cantar, que é o que mais faziam lá na nova terra de Deus. Era uma canção que Moisés compôs no deserto: -- Ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, meu Criador e Salvador, como são grandes e maravilhosas as tuas obras todas! Rei das nações, como são justos e verdadeiros os teus planos! Todos vão querer anunciar a tua glória! Pois só tu és santo!” ISRAEL BELO DE AZEVEDO |